Expedição com jovens da UDV estreita laços com os yudjá

*Laurent Micol

| 22 Setembro, 2023

Foto: Davi Degraf.

Entre os dias 4 e 6 de agosto, um grupo de jovens do Núcleo Florestal (Alta Floresta/MT) esteve na Aldeia Tuba-Tuba, localizada no Parque Indígena do Xingu, para um intercâmbio cultural, com troca de experiências com o povo yudjá. A expedição contou com 29 pessoas, sendo a maioria de jovens com idades entre 12 e 21 anos.

UDV e os yudjá

A União do Vegetal vem realizando um trabalho com o povo yudjá há 12 anos, contribuindo por meio do apoio no fornecimento do Chá Hoasca, além de trabalhos do Departamento Médico e Científico (Demec), da Casa da União e Associação Novo Encanto de Desenvolvimento Ecológico, sob a coordenação do Mestre Duarte Guerra, médico e professor da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT). Dessa forma, uma estreita amizade vem sendo construída entre os yudjá e a UDV.

Idealizada desde 2019 no âmbito das atividades da Orientação Espiritual do Núcleo Florestal, a expedição com os jovens proporcionou ricas trocas e aprendizados, abrindo novas perspectivas para o fortalecimento dessa amizade.

Palestra “Bem-viver do povo yudjá”

Entre as atividades desenvolvidas, houve uma palestra do Mestre Duarte Guerra abordando o “bem-viver do povo yudjá”, tema de sua dissertação de mestrado, onde apresentou vários aspectos da cultura desse povo que se relacionam com a nossa cultura caianinha.

A exposição contou com a participação do Mestre Eduardo Biral, odontólogo que atua em comunidades indígenas do Xingu desde 1978, e é um dos pioneiros deste trabalho. Biral trouxe sua visão a respeito das práticas que proporcionam mais qualidade de vida àquele povo, como, por exemplo, a percepção do tempo como algo circular e não linear. Isso significa que os yudjás conseguem manter-se dentro de um estado de presença no aqui e agora, logo não se verificam níveis de ansiedade ou depressão como se tem visto no contexto urbano. “Perguntar quando a construção de uma canoa vai ficar pronta não faz sentido para um yudjá. Eles sabem quando iniciaram e todos os dias fazem uma parte. Vai ficar pronta quando concluir”, pontuou.

Troca de experiências entre os jovens

Um ponto alto do intercâmbio foi a dinâmica de troca de experiências entre os jovens yudjás e os da UDV, na qual uma pessoa de cada grupo, alternadamente, perguntava a respeito de seu modo de vida e experiência com o Vegetal. As respostas dos jovens yudjás demonstraram a sua forte ligação com a Natureza e seu respeito à sua cultura ancestral, além do fortalecimento desses vínculos por intermédio do Vegetal – que chamam de “Wapá”, que significa remédio –, bem como a coesão da comunidade.

Foi um momento de grande aprendizado para todos. Os jovens da UDV relataram como o pertencimento à União do Vegetal também lhes proporciona maior contato com a Natureza e oportunidades de ampliar seus horizontes e círculos de amizade de forma saudável.

Associação Novo Encanto

A expedição contou também com atividades relacionadas à Associação Novo Encanto de Desenvolvimento Ecológico, braço ambiental da UDV, com apoio da Casa da União, que vem auxiliando os yudjás com algumas ações, entre elas o plantio das Plantas Sagradas, o Mariri e a Chacrona.

Esse trabalho, que visa promover a autossuficiência dos indígenas no Preparo do Vegetal, já vem rendendo bons frutos. Durante a expedição foi possível ver inúmeros pés de Mariri e Chacrona plantados, com grande quantidade do cipó Mariri bem estabelecido e em plena florada.

Também foi realizada uma oficina para apresentação de técnicas de segurança para escalada em árvores durante a colheita do Mariri. A oficina teve boa receptividade pelos indígenas e os participantes demonstraram habilidade e capacidade de memorização do que foi repassado.

Na conclusão da expedição, houve ainda uma roda de conversa conduzida por Clariana Monteiro, estudante de Gestão Ambiental da Universidade de São Paulo (USP) e sócia do Núcleo Menino Galante (SP), a respeito do manejo do lixo na aldeia, dando destaque aos resíduos que a natureza não degrada, como o plástico. Um problema verificado nas aldeias é a quantidade de resíduos de galões de óleo, usados na mistura de combustível para o motor dos barcos. As lideranças indígenas manifestaram preocupação com essa questão e pediram apoio da Novo Encanto para projetos que viabilizem a retirada desses resíduos, bem como para outras demandas tocantes à saúde, ao saneamento e ao monitoramento ambiental.

No encerramento, todos agradeceram e compartilharam a alegria pelos momentos vividos.

_LAURENT*Laurent Micol pertence ao Corpo Instrutivo do Núcleo Florestal (MT), 13ª Região.

Com colaboração de Flávia Ilíada (Vice-Diretora de Comunicação Externa do Departamento de Memória e Documentação da UDV e membro do Corpo do Conselho do Núcleo Rei Hoasqueiro – Brasília-DF).

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