UDV: Revelação e Princípios

| 7 Março, 2022

Foto: Bento Viana.

O Blog da UDV relaciona os 13 Princípios Originais do Centro Espírita Beneficente União do Vegetal. Esse documento foi elaborado a partir da atuação do Grupo de Trabalho para a Reforma Administrativa do Centro e que contou com o imprescindível apoio do Conselho da Recordação dos Ensinos do Mestre Gabriel. Os Princípios foram divulgados aos sócios da UDV em 2020, por intermédio de uma edição especial do ALTO FALANTE, veículo de comunicação interna do Centro.

A religião chega à humanidade de duas maneiras: pela Revelação Divina ou pela ação do engenho humano. A Revelação, que é sempre divina, acrescenta à humanidade conhecimentos que, de outra forma, estariam fora de seu alcance. E esses conhecimentos são de inestimável valia, já que permitem elevar o grau de consciência coletivo e o próprio sentido da existência. A União do Vegetal (UDV), criada por Mestre Gabriel, insere-se na categoria de Religião Revelada.

Ele é o guia que, absorvendo fundamentos das revelações anteriores – judaísmo e cristianismo –, acrescentou esclarecimentos e fortaleceu princípios. Exemplo disso são os que constam do documento Convicção do Mestre, lido nas Sessões de Escala da UDV.

Por sua densidade e abrangência, resumem a essência moral e espiritual desta Doutrina, ampliando os princípios da Revelação judaico-cristã, expressos nos Dez Mandamentos e no Sermão das Bem-Aventuranças (o Sermão da Montanha):

1. Podemos ser censurados por todos, mas não podemos censurar a ninguém;
2. podemos ter inimigos, mas não podemos ser inimigos de ninguém;
3. podemos ser ofendidos por todos, mas não podemos ofender a ninguém;
4. podemos até ser julgados por todos, mas não podemos julgar a ninguém;
5. podemos ser revoltados por todos, mas não podemos revoltar e nem ser revoltados por ninguém.

Na conclusão, um recado-síntese do Mestre: “Lembrem-se: o Símbolo da União é Luz, Paz e Amor”.

A essência da religião

O que forma, dá conteúdo e consistência a uma religião são os seus fundamentos morais e espirituais, o primeiro dos quais é a Revelação que lhe dá origem: a da existência de Deus. Sem Deus, obviamente, não há religião. É Ele o Primeiro Princípio, de que derivam os demais. E é a Ele que o cumprimento desses princípios conduz, pois são da mesma essência.

Princípio, como diz o nome, é o que funda e fundamenta alguma coisa. No campo espiritual, religioso, são valores atemporais, Eternos como a Fonte que lhes dá origem, expressões da natureza do Criador. A palavra “religião” significa religação, objetivo de sua ação junto à humanidade: religá-la à sua origem, ao Primeiro Princípio.

Quando Deus se apresenta a Moisés, no Monte Sinai, e entrega-lhe as Tábuas da Lei – os Dez Mandamentos –, condensa ali os princípios que irão fundamentar a religião judaica. Mas o que ali está se destina não apenas aos judeus, mas a todos os seres humanos, em todos os tempos e lugares. E o que são os Dez Mandamentos?

Um código de conduta moral, ou ética, palavras sinônimas: uma derivada do grego (ética), outra do latim (moral), ambas expressões da Verdade/Realidade – ou seja, expressões do próprio Deus. Moral (ética) não é um código de bom-mocismo, mas compromisso com o Sagrado. Um princípio sem o qual não se chega a Deus. E a moral é atemporal: não está sujeita a modas. O Eterno não se sujeita ao moderno, nem o leva em conta.

Jesus, séculos depois de Moisés, quando indagado se viera revogar a lei judaica, disse que, ao contrário, viera lhe dar cumprimento. E resumiu os Dez Mandamentos – os Princípios de que os judeus eram guardiões – em dois: amar a Deus sobre todas as coisas e amar ao próximo como a si mesmo. Não mudou, não revogou, nem “atualizou” nada (já que o Eterno é sempre presente).

Apenas propiciou um modo mais simples de compreender a Lei Divina, e acrescentou-lhe um princípio – o amor ao próximo –, que passou a fazer parte do que, na sequência, veio a chamar-se cristianismo, a Nova Aliança (ou Novo Testamento) de Deus com a humanidade.

Essas denominações – judaísmo, cristianismo, espiritismo, entre outras –, que buscam classificar ou departamentalizar o fluxo da História Sagrada, não são obviamente estabelecidas pela Divindade, cuja ação contínua dispensa rótulos e subdivisões. Mas o ser humano, com suas limitações, a eles recorre (aos rótulos) em busca de melhor compreender os momentos mais marcantes do processo de evolução espiritual da humanidade.

A missão da UDV

A União do Vegetal está na sequência e continuidade da ação divina na Terra. Mestre Gabriel, quando a organizava, nos anos 60 do século passado, em Porto Velho, fez constar de seus documentos que “o discípulo deve amar o próximo como a si mesmo para ser merecedor de receber o Símbolo da União: Luz, Paz e Amor”. E esclareceu que “esse Símbolo é o da Paz e da Fraternidade Universais”, expressões do próprio Criador.

Ao fazê-lo, revelou a ligação da UDV com as palavras de Jesus, quando resumiu os Mandamentos de Moisés – e, por extensão, com os próprios Mandamentos, Princípios que fundaram a religião judaica.

E o destaque do Mestre a este mandamento (o amor ao próximo) acrescentou nova Revelação: a recompensa que advém a quem o cumprir, de receber o Símbolo da União – isto é, Deus – no coração.

Quando dizemos que a União do Vegetal é religião de fundamentação cristã reencarnacionista, já aí está implícito o vínculo com o judaísmo, em cuja sequência veio o cristianismo. Numa analogia com a linguagem bíblica, a UDV configura mais uma Aliança de Deus com a humanidade – o Novíssimo Testamento –, que abrange e transcende as revelações anteriores. A Revelação da UDV – apresentada pelo Mestre Gabriel como a Realeza Divina – traz o Princípio da reencarnação dos espíritos, suas sucessivas vindas à Terra em busca de evolução e purificação.

Além desse Princípio, que religiões orientais, em termos diferenciados, já professavam – e o espiritismo kardecista, no século XIX, propagou –, alguns ensinos da UDV revelam aspectos da realidade espiritual até então desconhecidos pela humanidade. Daí por que se inclui na qualificação de Religião Revelada.

O desenvolvimento das virtudes

Mestre Gabriel estabeleceu como objetivo da ação religiosa da UDV não apenas o aprimoramento moral do ser humano – premissa evolutiva básica –, mas também seu desenvolvimento intelectual e espiritual. E ensinou que “só pela ordem e doutrinação reta, que receberemos eternamente dentro da União do Vegetal, é que chegaremos à Cientificação” – isto é, ao conhecimento pleno da realidade, objetivo das sucessivas vindas do espírito à Terra.

A ordem – moral, social e espiritual – tem como postulado básico a constituição da família, nos termos em que desde a origem (isto é, desde Adão e Eva) foi concebida por Deus: o homem, a mulher e os filhos. Sem família, não há ordem – e sem ordem e doutrinação reta não há evolução espiritual.

Ensina também que, espiritualmente, não existe proteção; a segurança depende de cada um. É pelo amor à prática fiel do Bem e pela constância nos deveres que estamos livre de todos os perigos. Cabe à UDV, em consonância e coerência com sua Sagrada Doutrina, a missão de zelar pela integridade deste legado e pela conduta moral de seus seguidores. Daí o sentido prioritário de conhecer, transmitir e pôr em prática esse precioso acervo dos Princípios Espirituais, que não podem ser confundidos com os critérios de organização institucional.

A ordem administrativa pode se alterar em decorrência da expansão institucional, que eventualmente imponha o surgimento de novos cargos e funções ou de novas dinâmicas de gestão. Mas os Princípios Espirituais são imutáveis, eternos. Não estão sujeitos nem a modismos, nem a influências culturais ou a quaisquer oscilações da conjuntura política, econômica ou social.

Os 13 Princípios Originais da União do Vegetal

  1. A União do Vegetal (UDV) é uma religião de fundamentação cristã reencarnacionista que afirma a existência do Espírito e trabalha pela evolução do ser humano no sentido do aperfeiçoamento de suas virtudes morais, intelectuais e espirituais, que são expressões do amor e da fraternidade humana.

  1. O Chá Hoasca, o Sacramento da UDV, é utilizado em seu ritual religioso para efeito de concentração mental. É a União de dois vegetais originários da Floresta Amazônica, o Mariri e a Chacrona, comprovadamente inofensivos à saúde.

  1. A UDV tem como Símbolo da Paz e da Fraternidade Humana Luz, Paz e Amor. “O discípulo deve amar o próximo como a si mesmo para ser merecedor de receber o Símbolo da União”.

  1. O Centro tem sua principal referência no Mestre Gabriel, Mestre da União do Vegetal, que sempre demonstrou compromisso com a verdade, com a palavra assumida e a coerência entre o que ensinou e praticou. Por amor à humanidade, criou a UDV com o pensamento de construir uma Paz no mundo.

  1. A UDV é composta por Mestres, Conselheiros e discípulos. A formação dos discípulos é desenvolvida pela prática dos ensinamentos, e não segue, obrigatoriamente, um padrão de educação formal. Aos integrantes da Direção é exigível exemplar conduta moral, profissional e familiar.

  1. O Trabalho, a Família e a Religião são os três pilares que sustentam a evolução humana. Harmonizados, trazem o equilíbrio e as condições favoráveis ao crescimento espiritual.

  1. A exemplo do seu Guia Espiritual, o Centro mantém como princípio básico a prática do trabalho voluntário de seus dirigentes, sem remuneração pelos serviços prestados.

  1. A UDV reconhece a origem divina da família, obra do Criador na Terra, iniciada pelo casal primordial, Adão e Eva. O homem e a mulher se complementam e são o alicerce familiar e os principais responsáveis pela educação dos filhos.

  1. O Centro e seus membros associados defendem o uso responsável e estritamente ritualístico do Chá Hoasca. Não o comercializam nem obtêm qualquer proveito financeiro.

  1. A União do Vegetal pratica e ensina o amor a Deus sobre tudo, extensivo a seus semelhantes, respeitando o ser humano tanto na sua presença como na sua ausência, pois é a semelhança de Deus. A UDV não tem preconceitos ou discriminações, e considera que todo ser humano pode superar dificuldades enfrentadas ao longo da sua caminhada.

  1. Colhemos o que plantamos, assim é a Justiça Divina. Na UDV a Justiça está expressa nas leis inscritas nos Estatutos do Centro, e todos, de acordo com a gravidade da falta e independente do grau hierárquico, estão submetidos a elas.

  1. A Beneficência é praticada e ensinada desde a origem da UDV, sendo uma expressão do amor fraternal e reconhecimento de todos os seres humanos como irmãos, filhos de um mesmo Pai. Além do atendimento espiritual, a União do Vegetal desenvolve ações beneficentes nas áreas de educação, saúde, cultura e assistência nas regiões onde está estabelecida.

  1. A UDV reconhece a Natureza como uma dádiva do Criador para servir à humanidade. Por isso trabalha pela preservação das florestas e de outros recursos naturais, e cultiva as plantas sagradas utilizadas na preparação do Chá Hoasca.