Livro “Eu Vi a Lua” reúne histórias de mulheres nas religiões ayahuasqueiras

| 8 Setembro, 2021

A Editora Pedra Nova lançou o livro “Eu Vi a Lua – Histórias de Mulheres Ayahuasqueiras”. Escrito por Edson Lodi*, o livro nos apresenta a beleza do semblante feminino permeado de lutas e vitórias, através das histórias de 12 mulheres que encontram no Vegetal (ou também Chá Hoasca, na União do Vegetal, e Daime, nas linhas religiosas do Alto Santo e da Casa de Jesus – Fonte de Luz) inspiração de vida e caminho espiritual.

Permeada por uma narrativa poética, a sua leitura nos traz bem presente a sensibilidade feminina e os encantos da natureza e da floresta, região onde essas mulheres se encontraram com o Vegetal (denominado por Ayahuasca no livro, em consideração a Carta de Princípios das Entidades Religiosas Usuárias da Ayahuasca, que acordaram o uso desse termo em documentos que digam respeito às três religiões ayahuasqueiras tradicionais).

Para apresentar o livro aos leitores do Blog, trazemos aqui a apresentação dele feita por Onides Bonaccorsi Queiroz, escritora fardada no Centro de Iluminação Cristã Luz Universal Juramidam (Ciclujur).  Confira:

“Como um homem deve se inserir na esfera do feminino? Com respeito.

Recomenda-se que pise macio nesse terreno, e mantenha-se atento. Pois o feminino é, por natureza, o subjetivo, o não declarado. Desdobrado, entretanto, de sentidos, tão influente e sutil quanto a força que rege as marés.

Diante da presente obra, podemos supor que Edson Lodi tenha dedicado um considerável contingente de horas em observação a esse universo, e que a empreita o tenha impressionado, a ponto de inspirá-lo ao fazer literário.

E eis que, em vigília curiosa e concentrada, ele contempla, em seus relatos, mulheres de origens, historicidades, personalidades e atuações diversas, visitando as amazônidas e as estrangeiras, as tímidas e as desenvoltas, as oprimidas e as emancipadas, as donas de casa, as mães, as professoras, as conselheiras, as caboclas, as companheiras.

Ana Maria, Anne, Bety, Dionéa, Else, Eulália, Guiomar, Izabel, Joseanne e Mira, além das grandes senhoras Peregrina e Pequenina, reunidas em torno de um traço comum: o fato de que, em algum momento de suas trajetórias, passaram a integrar uma comunidade ayahuasqueira ou com ela estabelecer algum nível de vínculo. E, então, a experiência com o chá da floresta direcionou ou ressignificou suas vidas.

Em incursão digna de nota, Lodi vai, por exemplo, às matriarcas, e descreve, numa narração delicada e reverente, encontros mais que históricos, memoráveis, também plenos de significados e solidariedade, entre duas delas: Mestre Pequenina, viúva de Mestre Gabriel, e Madrinha Peregrina, viúva de Mestre Irineu, ambas zeladoras de duas eminentes linhagens brasileiras da ayahuasca, a União do Vegetal e a doutrina do Daime.

Ao examinar o contexto microcósmico de cada uma das suas realíssimas personagens, Edson identifica anseios, temores, fragilidades, responsabilidades e desafios. Mas encontra, sobretudo, superações.

É que, ao longo dos anos, a mulher edifica sua resistência íntima: aprende a lidar com frustrações, eleva sua tolerância à dor – perguntem a qualquer dentista –, desenvolve o discernimento de quais são os sacrifícios que valem o emprego da sua energia vital, alimenta amizades valorosas e decide entregar a sua bondade também a si própria, permitindo-se a alegria, o germinar de sonhos, o prazer e as realizações.

Perpassada pelo fio luminoso da ayahuasca, essa travessia transforma, muitas vezes anonimamente, mulheres comuns em notáveis artífices da paz e do amor, autênticas heroínas de si e da humanidade.

Em passo consonante, muitos homens, buscando uma vivência mais gratificante, estão despertando para a necessidade de se conectar com o seu feminino interno. Já que tudo na natureza é composto dessas polaridades, e até mesmo Deus apresenta sua face feminina: a Senhora Mãe.

Daí a pertinência desta antologia, desde o feliz título, emprestado de um dos contos. Pois a Mãe Divina está, em muitas vertentes ayahuasqueiras, relacionada com o satélite natural da Terra. O que nos leva a presumir, portanto, que “Eu vi a lua” constitua também uma metáfora para o curso de investigação do autor, como se, ao contatar mais demoradamente o feminino – celestial e humano –, Edson declarasse: “Eu te enxergo”. Gesto de verdadeira religiosidade e benevolência, que certamente contribui para suplantar a invisibilidade e o preconceito que tantas mulheres ainda enfrentam.

Todos somos favorecidos com esse exercício de ampliação da consciência. E é precisamente do cultivo dessa gama de atitudes relacionadas ao carinho e ao cuidado, identificadas com o ambiente feminino, que o mundo está mais necessitado neste momento evolutivo. Urge a compaixão, a proteção, o acolhimento, a inclusão, o compartilhamento, a nutrição, enfim, todas as expressões da preservação da vida, práticas que correspondem exatamente aos saberes ancestrais femininos.

Mestre Edson, na preciosa lavra poético-existencial aqui apresentada, dá mostras de estar envolvido com esse fundamental movimento de integração do ser: o rico e infinito processo do reconhecimento mútuo e da harmonização entre elementos opostos e complementares, que constrói uma vida mais fecunda para todos. E convida gentilmente os seus leitores, homens e mulheres, a participarem dessa jornada.”

Serviço

Para adquirir o “Eu Vi a Lua – Histórias de Mulheres Ayahuasqueiras”, acesse o site da Nossa Loja.

Inicialmente, o lançamento do livro será realizado presencialmente nas cidades de Porto Velho (26/09), Goiânia (10/10), São Paulo (22/10) e Brasília (data a confirmar).

*Edson Lodi é integrante do Quadro de Mestres da UDV e membro do Conselho da Administração Geral do Centro Espírita Beneficente União do Vegetal.

8 respostas
  1. Maria Helena Costa Rodrigues de Moraes
    Maria Helena Costa Rodrigues de Moraes says:

    Que a Natureza que habita em cada um de nós, venha clareando a paz de nossos corações.
    Texto bem escrito!
    Parabéns, a todos os envolvidos!

    Responder
  2. Janaina Almeida
    Janaina Almeida says:

    Que alegria ver esta obra poética descrevendo um pouco dessa essência feminina de tanta beleza e delicadeza, e ainda no contexto de mulheres com vivências ayahuasqueiras. Parabéns aos envolvidos por terem tido essa sensibilidade!

    Responder
  3. Lita Passos
    Lita Passos says:

    Parabéns, ao Mestre Edson Lodi, pela oportunidade de reunir narrativas finas da natureza feminina de mulheres tão especiais. Esse é um estudo que há que se ter sensibilidade e poesia pra adentrar e conhecer.
    Confesso que quero lê-lo em breve.

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  4. Juliana Araujo
    Juliana Araujo says:

    Lindíssimo trabalho e de grande importância para todos nós sócios e sócias da UDV. Bravo Mestre Edson Lodi. Encantada também com a apresentação da Onides Bonaccorsi Queiroz, que fineza! Parabéns aos envolvidos no projeto

    Responder

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