A imagem como recordação

| 12 junho 2017

Augusto Pessoa*

Exposição Imagens a Recordar revela o acervo de fotografias produzidas pelo Mestre Cícero Alexandre Lopes e compõe um valioso registro da memória do Centro | Foto: DMC/Sede Geral.

“Fotografar é colocar na mesma linha a cabeça, o olho e o coração”.
Henri Cartier-Bresson

O Mestre Cícero Alexandre Lopes, natural do Rio Grande do Norte, foi um dos primeiros fotógrafos do então Território Federal de Rondônia, numa época em que poucos eram os profissionais que se aventuravam pela arte lambe-lambe. Com uma câmera na mão e a intuição de que estava sendo parte de um importante processo de registro documental da memória do Centro Espírita Beneficente União do Vegetal, foi um dos responsáveis pelo valioso tesouro imagético que hoje revela a história da UDV por intermédio da fotografia.

Com a visão de quem também faz das lentes a sua mira, o Coordenador Regional do DMC na 4a Região, Mestre Diro Oliveira (Núcleo Vitória – Vitória da Conquista-BA), idealizou a exposição fotográfica Imagens a Recordar, um apanhado de parte do acervo das imagens captadas pelo Mestre Cícero e que, juntas, compõem um representativo mosaico de recordações, o qual chama a atenção pelo valor documental, mas também encanta pelo aspecto devocional que o Mestre Cícero conseguiu imprimir no seu trabalho de guardar para sempre, no relicário da memória, a religião que escolhera e o seu Mestre.

Veja aqui o vídeo com o teaser da exposição Imagens a Recordar:

Nas imagens colhidas pela câmera do Mestre Cícero, podemos fazer uma viagem à Amazônia da década de 1960, percorrendo as mais importantes fases da institucionalização da UDV no norte do Brasil e descobrindo detalhes que só a fotografia é capaz de apreender. Exemplo disso é a imagem em que o Mestre Gabriel entrega a Faixa de Assistente ao Mestre Braga, um dos mais significativos momentos da UDV e que revela, na simplicidade daquela casa de madeira, um importante traço cultural da União do Vegetal. Empilhado junto com outros discos, um vinil chama a atenção e traz na capa a frase “forró ao vivo”, um dos ritmos trazidos pelo Mestre Gabriel para o ritual por meio do uso da música no salão.

Composta pelas fotografias que o Mestre Cícero fez na época em que o Mestre Gabriel estava em matéria e também de registros produzidos posteriormente, a exposição apresenta ainda um vídeo com depoimentos e está circulando os Núcleos da UDV. Inicialmente a exposição foi apresentada na 4a Região, onde foi idealizada, e teve o seu lançamento oficial durante o Encontro Internacional dos Coordenadores Regionais do DMC, realizado em São Paulo no Núcleo Samaúma (Araçariguama-SP, 3a Região), no ano passado, na ocasião do aniversário de 87 anos do Mestre Cícero. Em seguida a exposição esteve na 1a e na 2a Regiões, e agora está na 10a Região, desenvolvendo uma agenda itinerante que já percorreu quatro Núcleos em três estados.

O ciclo nessa região do Nordeste teve início no Núcleo Natal (Natal-RN, 10a Região) – na capital do estado onde o Mestre Cícero nasceu –, e cujo atual Mestre Representante, Mestre Henrique José, também é fotógrafo. Em seguida esteve em Campina Grande e João Pessoa, na Paraíba, e agora está em Caruaru, onde percorrerá cinco Núcleos em Pernambuco antes de seguir para Maceió, em Alagoas.

Em cada lugar onde a exposição é apresentada, é possível ver e sentir o valor desse registro por meio do olhar dos discípulos que hoje podem conhecer parte da nossa história graças ao trabalho de artistas como o Mestre Cícero. No alto-contraste que caracteriza as suas fotografias e no cuidadoso zelo pela composição, Mestre Cícero deixa visível o seu talento na arte de escrever com a luz e nos convida a recordar a história através do seu olhar.

Mestre Cícero completaria 88 anos de idade no dia 5 de junho. Em sua homenagem, o blog da UDV reproduz aqui o texto “Mestre Cícero, um nordestino caboclo na Amazônia”, de autoria do Mestre Edson Lodi.

*Fotógrafo e Mestre Representante do Núcleo Campina Grande (Campina Grande – PB, 10ª Região).

3 respostas
  1. Jerbbson
    Jerbbson says:

    Tive a oportunidade de visitar esta exposição que conta um tanto a respeito de nossa história pelo olhar do M. Cícero. São fotografias e textos que nos levam até o tempo dos primeiros irmãos e da origem do CEBUDV. Um belíssimo trabalho de recordação!

    Obs.: Senti falta da descrição de quem é o autor do texto.

    RESPOSTA: Jerbbson, no final do texto estão disponibilizadas essas informações.

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