A arte do bem viver de Emanoel Amaral

Henrique José Fernandes*

| 18 Janeiro, 2020

Cobselheiro Emanoel e esposa, C. Edilena | Foto: DMC/Núcleo Natal.

A vida é uma dádiva que recebemos de Deus, que nos possibilita a oportunidade de amar e ser amado, dar e receber, plantar e colher, e assim viver o “tempo presente”, este outro presente que recebemos. E o Conselheiro Emanoel Cândido do Amaral sempre foi um bom exemplo de como podemos desenvolver a arte do bem viver.

Emanoel recebeu este nome dos seus pais por ter nascido no dia 25 de dezembro de 1951, na cidade de Natal, no Rio Grande do Norte. Emanoel é um dos nomes pelo qual Jesus, o Salvador, é denominado, pois seu significado (Immanuel, do hebraico) quer dizer “Deus conosco”.

Pessoa simples e de bom coração, morou no Rio de Janeiro e em Minas Gerais ainda criança. Depois voltou para morar em Natal. Aos 13 anos, despertou para o desenho e as artes. Fez faculdade de jornalismo e, em 1973, casou-se com o amor da sua vida, Edilena Maria Xavier do Amaral, com quem teve 3 filhos, 3 netos e 1 bisneto.

Chegada à UDV

Buscador da espiritualidade, teve uma formação católica quando criança. Chegou a ser seminarista, tendo frequentado a Ordem Rosacruz e o Círculo Esotérico da Comunhão do Pensamento. No início dos anos 80, foi morar com a família em Rio Branco (AC), onde trabalhou como jornalista no Jornal Folha do Acre. Lá conheceu o Chá Hoasca no Alto Santo, e depois na União do Vegetal.

Sua primeira Sessão na UDV foi em 4 de abril de 1983, trazido pelo irmão Flamínio Araripe. Neste dia, recebeu o Vegetal das mãos do Mestre Luís Máximo, no Núcleo João Lango Moura, onde se associou junto com a sua companheira Edilena.

De volta a Natal em 1986, Emanuel frequentou por um tempo o Santo Daime, pois naquela época ainda não existia nenhum Núcleo da União do Vegetal na cidade. Até que soube do início da UDV no Rio Grande do Norte, associando-se então no Núcleo Campina Grande, Campina Grande (PB) para integrar o grupo dos primeiros irmãos que iniciaram o Núcleo Natal.

Talento

Emanoel trabalhou como jornalista, diagramador, artista plástico e, principalmente, como desenhista de histórias em quadrinhos e chargista, com muitos trabalhos publicados, sendo um dos pioneiros da região, fundador do GRUPEQ (Grupo de Desenhistas de Quadrinhos), que fez história no Rio Grande do Norte e no Brasil, formando uma geração de artistas que se desenvolve até hoje.

Além de excelente desenhista e chargista, Emanoel era artista plástico (com pinturas em aquarela e nanquim), escritor, poeta e folclorista. Participou durante anos da Comissão de Folclore da Fundação José Augusto, do Governo do Estado do Rio Grande do Norte.

Durante anos, foi um dos incentivadores e membro da Comissão Julgadora dos Festivais de Quadrilhas Juninas. Como historiador da cultura nordestina, destacou-se com pesquisas sobre o cangaço e a cultura indígena, tendo inclusive estudado a língua Tupi-Guarani. Nosso estimado velhinho tem um papel relevante na reconstrução da identidade cultural dos índios potiguaras, reinserindo a sua língua nativa na cultura daquele povo, que buscava reencontrar suas origens.

Também foi reconhecido pelo Ministério da Cultura e pelo Governo do Rio Grande do Norte por seu trabalho como Mestre de Mamulengo, construindo seus bonecos e personagens com material reciclado; um inventivo e engraçado mamulengueiro, que em muitas apresentações era acompanhado pelos filhos Gabriel e Luciana. Emanoel gostava de construir brinquedos de sucatas para as crianças, contar piadas e causos engraçados, colecionados em sua memória.

Arte na UDV

Ele também imprimiu suas digitais artísticas na UDV, criando charges com os Mestres da Origem (Braga, Herculano, Florêncio, entre outros) que, quando visitavam o Núcleo Natal, recebiam de suas mãos obras de bom humor e qualidade artística. Algumas imagens de sua autoria também foram utilizadas no filme “Memórias de um Mestre Caboclo”, a respeito da vida do Mestre Florêncio. Deu também contribuições importantes ao informativo Clareando, do Núcleo Natal, sem contar as diversas apresentações de Mamulengo que promoveu nos aniversários e datas festivas do Núcleo Natal, fazendo inclusive uma turnê em 2003 pelos Núcleos da 10ª Região (Alagoas, Pernambuco, Paraíba e Rio Grande do Norte).

No dia 18 de dezembro, perto de seu aniversário de 68 anos, o céu amanheceu mais iluminado com a presença do mestre mamulengueiro e exímio chargista. Aqui na Terra, ficamos com saudades de seu sorriso fácil e de seu olhar calmo e carinhoso. Emanoel partiu pela manhã, abraçado pelos primeiros raios de sol. Foi recebido pelo nosso guia espiritual, tendo cumprido sua missão de filho, pai, marido, avô e bisavô, como profissional e, principalmente, como exemplo de um bom discípulo do Mestre, sempre alegre, sereno e disponível para auxiliar e servir.

Nosso mano Emanoel
Cumpriu bem sua missão.
Ele com seu mamulengo
Mostra sua diversão.
O exemplo de Emanoel
É uma vida de mansidão.

Sinto um pouco de tristeza
Pela ausência do seu humor.
Sinto alegria por dentro
Pelo seu real valor.

Algumas das artes produzidas por Emanoel Amaral: 

*Henrique José Fernandes é integrante do Quadro de Mestres do Núcleo Natal (Nísia Floresta – RN). Texto escrito com a colaboração dos sócios Alessandro do Amaral e Vanduí Guedes da Silva.

8 respostas
  1. Regina Richau Frazao Barbosa
    Regina Richau Frazao Barbosa says:

    Conselheiro Emanoel um querido amigo “Athynga” pros íntimos, pessoa de grande valor moral e espiritual que nossa família teve a honra e alegria de conhecer.
    Ficam as alegres lembranças e a saudade de alguém inesquecível!

  2. Glenisson Araújo
    Glenisson Araújo says:

    Fico feliz por ter conhecido Conselheiro Emanoel e ouvido os seus “causos”. Desejo à sua família fortalecimento e aos irmãos do Núcleo Natal boas lembranças e reconhecimento a todos que contribuíram pelo seu desenvolvimento.

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