O pioneiro Mestre Miguel completa 50 anos de UDV
| 15 Dezembro, 2022
Giuliano Villa Nova*

A expansão da obra do Mestre Gabriel se faz também com a participação de irmãos pioneiros, que, com determinação, trabalham para levar a mensagem da União do Vegetal a mais pessoas. São Paulo, Brasília, Fortaleza: por estes lugares passou o senhor Miguel Gomes Filho, o Mestre Miguel – também conhecido por “Castelo” –, que, no dia 12 de setembro anterior, completou 50 anos que havia bebido o Vegetal pela primeira vez – apenas dois dias após o início do Núcleo Samaúma, em Araçariguama (SP).
Na época morando em São Paulo, Miguel teve contato com o Vegetal por intermédio de Marinho (filho do Mestre Mário Piacentini), então diretor do Teatro da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (Tuca). Ele e alguns colegas haviam conhecido o Vegetal em Manaus, pelas mãos do Mestre Florêncio, e chegaram à capital paulista com a notícia.
Miguel – que era diretor do Cursinho Equipe na ocasião – também quis conhecer o chá, mas só foi autorizado dois dias depois da fundação do Núcleo Samaúma, em 1972. “Inicialmente, eu fiquei sabendo da existência do Vegetal porque li a Revista O Cruzeiro, com a reportagem ‘O LSD da Amazônia’. Até planejei ir para Porto Velho, em julho de 1971, mas não deu certo”, conta Mestre Miguel.
A primeira Sessão da qual ele participou foi dirigida pelo Mestre Hilton Pereira Pinho (Mestre Hilton). Pouco tempo depois, recebeu o cargo de Tesoureiro. Em fevereiro de 1973, foi convocado para o Corpo Instrutivo e, em setembro daquele mesmo ano, para o Corpo do Conselho. Continuou como sócio no Samaúma até 1975, quando surgiu a necessidade de ir para Brasília (DF).
Brasília
“O Mestre Hilton esteve em Brasília, onde distribuiu o Vegetal para algumas pessoas da cidade, que ficaram frequentando as Sessões no Núcleo Samaúma. Com o tempo, devido à distância, o Mestre Mário Piacentini recomendou que alguém deveria ir para lá para acompanhar mais de perto aquelas pessoas. E eu me mudei para Brasília”, lembra M. Miguel.
No entanto, o sentimento genuíno de querer auxiliar os primeiros irmãos no Distrito Federal não foi capaz de superar algumas dificuldades. No início de 1977, sem conseguir emprego, decidiu voltar para as suas origens: a cidade de Tauá, no interior do Ceará. “Eu quis voltar para a fazenda da minha família, mas minha madrasta não deixou. Então, resolvi ir para Fortaleza”, relata.
UDV no Ceará
Na capital, ele se estabeleceu, conseguiu emprego e reuniu condições de iniciar o trabalho da UDV no Ceará. Mas isso levou algum tempo para acontecer. Em julho de 1980, Miguel foi procurado por José Sinval Camurça, que chegou de Porto Velho com uma quantidade de Vegetal e o pensamento de iniciar o trabalho da UDV naquela região do Nordeste.
Não demoraram a chegar os primeiros irmãos do Ceará para conhecer o Vegetal: Vicente Giffoni, Ronaldo Lorenzo, Jonas, Alberto Wagner e Antônio de Pádua Campos Filho. Miguel recebeu essas pessoas e, com mais alguns irmãos, começou o trabalho da UDV em Fortaleza. “Eu morava em um apartamento, no bairro Benfica, e resolvi comprar uma casa, no bairro Henrique Jorge. No quintal, fizemos um galpão para realizar as Sessões”, contou Miguel.
A partir do dia 17 de outubro de 1980 – data considerada o aniversário do primeiro Núcleo no Ceará, o Tucunacá –, a irmandade que estava iniciando passou a ter a supervisão de Raimundo Nonato Marques, na época Mestre Representante do Núcleo Apuí, em Salvador.
Miguel Gomes Filho foi o primeiro Responsável pela Distribuição Autorizada de Vegetal de Fortaleza (recebeu a estrela de Mestre em 1982); depois, foi o primeiro Mestre Representante do, na época, Pré-Núcleo Tucunacá, e, na transformação a Núcleo, seguiu na Representação. Ele também exerceu, por cerca de um ano (entre 1986 e 1987), o cargo de Mestre Central da então 4ª Região, que abrangia os estados da Bahia, do Ceará e do Pará.
Após diversas travessias, Mestre Miguel foi sócio no Núcleo Fortaleza e no Núcleo Flor Divina. Atualmente integra o Quadro de Mestres do Núcleo Cajueiro Pequenino, onde prestou seu auxílio principalmente como monitor nuclear do Departamento de Plantio e Meio Ambiente (DPMA).
Com sua experiência, Mestre Miguel entende que o Centro precisa manter suas origens para continuar crescendo. “A expansão da UDV é uma coisa natural, mas sempre devemos nos lembrar do Mestre Gabriel, dos seus ensinamentos e da sua doutrina. Essa é a nossa base para seguir nesta caminhada”, aconselha.
*Giuliano Villa Nova é integrante do Quadro de Mestres do Núcleo Tucunacá e Diretor-Adjunto do Departamento de Memória e Comunicação (DMC) da Diretoria Geral.