Mário Piacentini, um Mestre Centenário

 Rodrigo Polignano*

4 abril, 2016

Mestre Mário Piacentini – um homem com uma estrela no peito | Foto: Sergio Polignano

Nessa data querida, 4 de abril de 2016, comemoramos o aniversário de 100 anos de nascimento de um homem que dedicou sua vida à Deus, à família e à União do Vegetal. Felizmente, em diversos momentos e com algumas atitudes, pudemos demonstrar em vida nosso amor e gratidão ao Mestre Mário Piacentini. Hoje, sentimos que ele continua vivo e presente em nossa história. Por isso, para nós, é motivo de honra e alegria rememorar seu nome e seu trabalho em prol da existência do Núcleo Samaúma (Araçariguama -SP).

Mestre Mário sempre dedicou atenção aos jovens e eu, como um deles, sempre me senti considerado por ele, pois vinha com frequência conversar comigo e saber como tinha sido a Sessão de Vegetal, se eu tinha visto alguma coisa. Gostava muito de conversar com ele, de ouvir a respeito das vivências que ele tinha na Burracheira, e Mestre Mário demonstrava o mesmo respeito ao ouvir as minhas pequenas (grandes, na minha percepção da época) descobertas.

Toda vez que eu ia receber o Vegetal de suas mãos, ele colocava pouca quantidade, adequada a minha pouca idade, e eu sempre queria mais…e por vezes insistia. Ele então dava aqueles tapinhas carinhosos (mas com a mão grande dele) no meu rosto e dizia: “por hoje tá bão!”

Alguns anos mais tarde, quando recebi a camisa com a Estrela de Mestre pela União do Vegetal, ele me deu um longo e apertado abraço e me falou: “Agora você tá na vitrine! Procura aprender a ser um instrumento do Mestre Gabriel, Viu?!! Seja feliz!”

Mestre Mário gostava de expressar uma longa doutrina quando alguém recebia a camisa com a Estrela. Ele doutrinava falando à todos os mestres que devemos lembrar que somos pequenos, que estamos todos no lugar de aprendiz, no lugar de espelho e que somos responsáveis pelo equilíbrio da União.

Núcleo Samaúma

Mestre Mário chegou na UDV no dia 10 de setembro de 1972, data de fundação do Núcleo Samaúma e pôde vivenciar a experiência de estar sob a luz do Sol dentro do Alto Tempo. Esse mistério de ver e estar ao Sol, às 22h00, fez com que ele ficasse na União do Vegetal, determinado a conhecer e seguir o Mestre Gabriel. Ele vinha de uma longa caminhada dentro da Igreja Metodista e demonstrou um alto nível de espiritualidade ao se permitir não ficar preso a dogmas e proibições, lançando-se ao alto mar da Burracheira para conhecer/reconhecer o Mestre Gabriel.

Todos nós que pudemos conviver com Mestre Mário temos saudades das narrativas dele a respeito das vivências e conversas que tinha com o Mestre. Em algumas dessas pudemos reconhecer verdadeiros ensinamentos que ele transmitia com firmeza, demonstrando muito amor ao Mestre.

Uma delas, que me vem agora à lembrança, aconteceu em uma ocasião em que Mestre Mário bebeu o Vegetal sozinho, dentro do seu carro, em um local de floresta, perto de onde é hoje em dia o Núcleo Rainha das Águas ( Poçinhos do Rio Verde-MG). Ele contou que estava chorando muito, perguntando para o Mestre Gabriel porque não tinha estado com Ele em matéria, porque tinha condições financeiras e poderia ter auxiliado a construir um Templo, poderia ter auxiliado na implantação da União e estava naquele momento sofrendo muito por não ter merecido estar lá, com o Mestre.

Então o Mestre Gabriel se apresentou com uma Luz muito intensa, mas ao mesmo tempo muito confortável, e disse: “Não fique assim, não chore! Eu precisava de você aí onde você está, para trabalhar pela expansão da União do Vegetal no sul do País!”

Construção moral

Assim, me sinto privilegiado por ter conhecido Mestre Mário, que na minha concepção é também um discípulo do Mestre Gabriel que pôde participar e auxiliar na expansão e construção da União do Vegetal aqui na 3ª Região, além de contribuir para a construção moral de tantos de nós dessa irmandade, que muito pudemos aprender com ele.

Sinto saudades de mestre Mário, de sua jovialidade e tenacidade. Tenho nele um exemplo de liderança. Ele nos ensinou a ter carinho com cada irmão e especialmente com quem está chegando e a ter firmeza para transmitir a Sã Doutrina. Ele demonstrava um bom humor contagiante, mesmo tendo sofrido perdas e enfrentado situações difíceis, sempre procurou ver o lado bom das coisas e apreciar o valor da vida.

Dedico também essas palavras de carinho e reconhecimento à conselheira Regina Piacentini. Desejo que possa receber as muitas flores que ela e mestre Mário plantaram juntos, pois sempre foram também um bom exemplo de casal e de pais responsáveis e carinhosos.

*Mestre Representante do Núcleo Samaúma (Araçariguama -SP)