Conselheira Guiomar, Zeladora dedicada e amorosa na UDV
Ana Maria de Lima Souza*
| 07 Fevereiro, 2020
Quando muito jovem, ouvia meus velhos dizerem provérbios, entre eles: “nos pequenos frascos estão os melhores perfumes”, “tamanho não é documento”, e, é claro, pouco entendia. Mas o tempo passa e as experiências vêm nos favorecendo a compreensão desses “ditos” que falam do valor do simples, da beleza interior… Mas para que fazer menção a provérbios? Neste caso, para falar de uma pessoa singular. Pequena como um frasco que guarda um bom perfume. Seu nome? Maria Guiomar Pereira da Cunha, a Conselheira Guiomar, ou simplesmente Guiomar, ou ainda, para o seu companheiro, Mestre Pernambuco, “Diomar”.
Essa mulher nasceu na cidade de Pacoti, no Estado do Ceará, em 15 de dezembro de 1940. Conforme contava, entre seus 13 e 14 anos de idade o Mestre Gabriel se apresentou para ela e uma irmã, lá no Ceará, por ocasião de estarem indo à missa. Disse-lhe o Mestre que se preparasse, pois em breve faria uma longa viagem.
Nos idos de 1955, nos seus verdes quase 15 anos, na companhia de um senhor por nome Antonio, chegou às terras da Amazônia, e em seguida conheceu o Senhor Francisco Lourenço, o Chico Lourenço, com quem passou a viver nos seringais e de quem recebeu o primeiro copo de Vegetal.
Em 1960, no seringal, conheceu o Mestre Gabriel. E ao vê-lo, reconheceu aquele que profetizou sua longa viagem que se constituiu em uma nobre missão, tornar-se uma discípula do Mestre sem nunca perdê-lo de vista.
De acordo com Zezinho (Mestre José Cunha, filiado no Núcleo Mestre Elias, em Sidrolândia-MS e filho de C. Guiomar), Guiomar teve quatro filhos que não chegaram a nascer (abortos) e mais: José, Josenias, Marlene, Maria, um cujo nome não foi citado por ela (Guiomar), José Pereira Cunha, Elizete, Pedro Celeste, Izaura, Francisco, Antero, Cosma, Damiana e Ana Beatriz.
Mulher pequena, era de baixa estatura, porém forte, corajosa. Durante o tempo em que viveu nos seringais na companhia de Chico Lourenço enfrentou a dureza da vida na floresta, como conta Getúlio Gabriel (filho mais velho de Mestre Gabriel). Quando Chico Lourenço saía da colocação (área delimitada dentro de um seringal a cargo de um seringueiro), ela ficava sozinha com os filhos e cortava seringa.
Residência do Mestre
Em 1969, chegou à residência do Mestre Gabriel, em Porto Velho (RO), conforme Getúlio Gabriel, com os filhos e grávida. Ficaram hospedados pela família do Mestre por alguns meses. Em virtude de alguns acontecimentos decidiu separar-se do Chico Lourenço, mas continuou residindo com a família do Mestre Gabriel até o ano de 1971, quando, após a metade do citado ano, iniciou sua vida conjugal com o Mestre Pernambuco, com quem viveu até o desencarnamento dele.
Guiomar por muitos anos foi a Zeladora da Sede, e Mestre Pequenina era a Organ. Cabia à Zeladora cuidar da limpeza do espaço físico. Mesmo quando da vinda da Sede Geral para o seu espaço próprio, Templo José Gabriel da Costa, em julho de 1973, Guiomar continuou a exercer a função de Zeladora da Sede até o ano de 1982 quando da transferência desta para Brasília.
E continuou o trabalho de Zeladora, então no Núcleo Mestre Gabriel (sede histórica). Trabalho que fez com dedicação e alegria até meados de 1985, quando se iniciou o rodízio do cargo de Organ. Mesmo sem ter mais sob a sua responsabilidade a limpeza do templo, como morava na quadra, sempre estava cuidando dos muitos pés de Chacrona distribuídos em volta do templo, e disposta a auxiliar nos trabalhos de limpeza.
Assim, essa pessoa simples, porém generosa, alegre, viveu a sua vida como mulher, mãe, companheira, discípula do Mestre Gabriel, até a data de 4 de novembro de 2001, dedicada a zelar pelo templo da Sede Geral e do Núcleo Mestre Gabriel.
À nobre Conselheira Guiomar o nosso reconhecimento por ter nos ensinado a respeito do amor, da dedicação e da gratidão, mesmo que de modo silencioso, discreto, na sua simplicidade, foi nas suas ações que nos ensinou.
*Ana Maria de Lima Souza é integrante do Corpo do Conselho do Núcleo Mestre Gabriel (Porto Velho-RO).